segunda-feira, 19 de maio de 2014

SOBRE AS MULHERES DA MINHA VIDA...

Sobre as mulheres da minha vida...


Na metade dos anos 60...em plena ebulição da contracultura, estava em São Francisco. Muitas bandas surgindo, gente louca, protestos e no número 69 da Haight-Ashbury  conheci uma cantora incrível que viria a ser a minha primeira namorada seu nome Grace Slick, oriunda da banda Jefferson Airplane, juntamente com Jack Cassady, Jorma Kaukonen e Paul Kantner.
Grace era incrível, dona de uma personalidade ímpar, olhos azuis e muito inteligente, era uma verdadeira representante do acid-rock e fui viver com ela
Acompanhei a banda para o Festival de Monterrey. Foi o primeiro festival do que viria ser o ínicio da ERA DE AQUÁRIO e  tudo ia bem...até a entrada do BIG BROTHER&HOLLDING COMPANY com uma cantora num terninho lamê,  pensei: Seria uma banda com mais uma cantora e nada ia superar a minha Grace. Quando ela abriu a boca no tema BALL AND CHAIN...estava ao lado de Cass Elliot do Mama's and Papa's e disse UAU!!! o que é isso?? perguntei a Cass, ela me disse: é uma cantora de São Francisco, chamada Janis Joplin, eu mais uma vez disse UAU!!! Logo adentrei ao camarim e percebi que ia ser uma paixão em 12 compassos. Conversamos, rimos, e logo ela disse: Cara, gostei de você, o que tu vai fazer hoje? Deu prá adivinhar onde fui parar naquele dia com Janis, Em Monterrey.

Mais tarde... soube que Grace e Janis eram amicíssimas e tratei logo de falar a verdade para ela que prontamente entendeu e seguiu em frente com Jefferson Airplane em seguida fomos a Woodstock naqueles três dias na FEIRA DE ARTE E MÚSICA DE WOODSTOCK. Foi um festival magnífico que entraria para os anais da História da Contracultura e dos movimentos pacifistas.
Os tempos foram mudando e fui acompanhando essa evolução, numa dessas andanças em Londres,  me deparei com uma cantora meio lírica, meio popular, com uma voz de soprano bem afinada, linda de cabelos escorridos do jeito que sempre gostei estava com uma banda da pesada,  intitulada Renaissance. Longos temas, complexidade nos arranjos e com um baixista da pesada. Seu nome, Jon Camp,  que logo tratei de pegar umas aulas com ele.

Ela me convidou para ver um ensaio da banda e lá permaneci. E como sou muito desligado, somente mais tarde perguntei o seu nome onde prontamente ela esboçou um sorriso e falou: Sou Annie Haslam, muito prazer, estendi a mão e fomos a um pub londrino e ficamos conversando sobre um som que estava  transformando  inúmeras bandas. Fazendo uma fusão de música clássica, folk, música celta, longas passagens instrumentais que estava recebendo a alcunha de ROCK PROGRESSIVO e passei a gostar desse som...nem de longe soava como as bandas de São Francisco, exigia uma audição mais refinada por causas das grandes mudanças de compassos, forma e estrutura. Fui ficando fascinado por esse som e cada vez mais louco por Annie, moramos juntos numa aldeia em Yorkshire.Muitos concertos, gravações e muito amor com esse anjo do grupo Renaissance e fomos felizes por um longo tempo.Certa vez...na Alemanha, uma banda recém-formada foi convidada a abrir a temporada de concertos do Renaissance.
Um grupo razoável com uma morena de cabelos escorridos e cantando num tom mais grave e som mais agressivo.
Nos bastidores  perguntei o nome dela para o Manager, ele prontamente me disse SONJA KRISTINA que liderava esse grupo o CUVERD AIR com Darryl Way no violino elétrico. Gostei da banda, ainda mais da sua vocalista.Não sabia o que dizer para Annie e mal conhecia Sonja. Findada a excursão...fui me chegado em Sonja que prontamente se mostrou solicita a mim e fomos nos envolvendo, quando ela me reportou: Estou precisando de um roadie, quer vir conosco? na hora respondi: Sim!!! e num impulso, dei-lhe um beijo que ela foi aceitando prontamente e com uma linda piscada deu prá entender tudo.Tive que levar um papo sério com Annie. E mais tarde, o Renaissance de um lado e nós de outro para mais uma série de concertos.Logo terminou, pois namorar cantoras de rock progressivo estava me dando muito trabalho, pois elas são mais cerebrais, pensam o tempo todo, filosofam muito...e tratei de ficar sózinho e seguindo  estrada.
Comecei as minhas andanças em Laurel Canyon, quando entrei num bar e parei prá ver uma cantora super-afinada tocando um violão de aço com afinação alternada e que estruturava  acordes sem muita dificuldade, letras inteligentes e sofisticação. Era então, casada com o cantor Chuck Mitchell e logo tratei de saber mais sobre ela...nesse meio tempo, a mesma se separou e passamos a andar juntos, primeiramente como amigos e mais tarde acabamos por ficar juntos.

Ela estava sempre inquieta com o seu som e sempre que podia  dava a  força que precisava. Uma certa noite, estávamos ouvindo um disco do Charlie Mingus,  logo ela teve um estalo e me revelou: Maurito, vou colocar letra em alguns temas do Mingus o que você acha?  dei um belo sorriso e afirmei...se vai tentar fazer isso, convoque aquele baixista que gravou contigo o disco HEJIRA. Claro!! que pensei logo nele, o Jaco, sem ele não tem o menor sentido esse disco e assim  foi feito- MINGUS foi um grande projeto da vida dela com Hancock, Shorter, Erskine e pude ver tudo aquilo de camarote petrificado com a genialidade desses músicos.Saímos para um concerto que viria ser um marco na sua carreira, um lugar lindo com palco natural e um platéia atenta. O Santa Bárbara County Bowl, em 1979 que culminou no disco "SHADOW AND LIGHT" Para esse concerto, ela montou uma banda da pesada com Pat Metheny, Michael Brecker, Don Alias, Lyle Mays e o Jaco quebrando tudo.Temas como Black Crow e Coyote ilustram bem o que foi aquele concerto. A minha vida ao lado do Joni Mitchell foi uma das melhores, simplicidade, sofisticação, beleza e doçura, tudo isso foi Joni Mitchell em minha vida.

Um breve namoro com as irmãs de Seattle Ann e Nancy Wilson com seu grupo Heart, que misturava ecos do Led Zeppelin com baladas próprias.Elas obtiveram um certo sucesso com o tema  "BARRACUDA".

Os tempos foram mudando, e já tinha findado os anos 70, 80 e os 90 prometia tempos nebulosos na música e na minha já falida relações com mulheres fantásticas e geniosas. Então... resolvi ir para Big Apple, Nova York, onde as coisas ainda aconteciam,  fui trabalhar no programa da SONY TELEVISION,  o famoso SESSION AND THE 54th e lá conheci uma cantora e pianista chamada Fiona Apple, que não durou muito, pois ela acabou ficando com sua assistente que também era a maior gata e aceitei essa decisão plenamente, afinal de contas, sou livre e aberto e acabei por retornar ao Brasil.

Foi quando tomei uma decisão: Nada de cantoras, sexo se tiver, alguma droga(depende qual) e música  muito além do ROCK.
Me envolvi com uma pessoa fora desse mainstream e fiquei por dez anos...Hoje...com  quatro anos soltos pelo mundo ainda procurando a minha musa...enquanto isso...vou ocupando o meu tempo, escrevendo, produzindo e cuidado do meu gato SILHIPPIE.

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